“Queria, queria
Ser igual ao peixe
Que livre nas águas
Se mexe”
Pedro Homem de Mello
Um
dia, chegando a casa, senti que estava pela primeira vez a entrar num
mundo novo. Mesmo que já lá morasse há um ano, aquele espaço não seria
pisado por ele e tudo bem, não vinha nenhum mal ao mundo. Como se me
encontrasse no agora, com esta nova pessoa que eu sou. Uma paz que
assoma por dentro banhando as paredes e lentamente preenchendo até transbordar.
Como respirar quando tudo arde e pesa o ar cá fora?
Séneca,
na sua ideia de viver de modo desapegado do prazer e sem medo da dor,
não seria a chave do mistério. Há um conforto que nos transmite
segurança, confiança, pontos de referências no que é familiar e
rotineiro como o primeiro café da manhã.
Andamos na vida por vezes mais perdidos em rotinas e nisto um dos corrimãos desaparece e caímos. Com poff!! e tudo.
Infinitamente
rápido é o movimento do tempo, como se vê mais claramente quando se
olha para trás. Pois quando estamos atentos ao presente, não o
percebemos, tão suave é a passagem do tempo ao ir pelo dia afora.
A
linguagem da verdade é simples. Quando nesse encontro mais silencioso
nos deparamos a um espelho que não se parte ou distorce, aí aquietemos
para ouvir esse ribeiro que murmura há já muito tempo: gosta muito de
ti.
